quarta-feira, 23 de agosto de 2017

VEJAM A CARAVANA RIDÍCULA DE LULA EM PENEDO


Privatização da Eletrobras é lado positivo da crise – Editorial | O Globo


Aperto fiscal não só leva governo a tratar de reformas que vinham sendo adiadas, como a reduzir o tamanho do Estado-empresário, essencial para a sociedade

O cenário político é intrincado, e o econômico, incerto. Mas deve-se reconhecer que a crise tem permitido que o país caminhe na direção certa, na formulação de reformas, embora, infelizmente, o enfraquecimento político do governo Temer, devido a denúncias e ao seu telhado de vidro ético, o impeça de avançar, como necessário, na aprovação, no Congresso, das mudanças na Previdência.

É certo que a queda do governo lulopetista de Dilma Rousseff facilitou a imposição da agenda das reformas, embora, mesmo ela, se continuasse no Planalto, seria obrigada a fazê-las, por simples questão de sobrevivência.

O motor que impulsiona aperfeiçoamentos cruciais na condução da economia é a mais séria crise fiscal de que se tem notícia no país. Dela derivam o desengavetamento, enfim, da modernização da Previdência, entre outras ações, e, também não era sem tempo, a retomada das privatizações.

O governo já havia lançado um programa de parcerias de investimentos (PPI), para ampliar concessões, e, na segunda-feira, anunciou a venda da Eletrobras, holding estatal do setor elétrico — com exceção de Itaipu, por ser binacional, e das usinas nucleares, por imposição constitucional. Deve melhorar os humores na economia, pela relevância desta correta decisão.

A equipe econômica espera melhorar a situação fiscal com o aporte estimado de no mínimo R$ 20 bilhões, a serem levantados com a venda de ações de controle da empresa, sendo criada uma golden share, para a União ter poder de veto em qualquer decisão estratégica. O mesmo foi feito na venda da Embraer e da Vale.

Se a Eletrobras não fosse estatal no governo Dilma, a presidente não colocaria a empresa em enormes dificuldades, ao intervir no setor por meio da MP 579, em 2012, forçando a redução das tarifas em 20% e também mexendo nas concessões, com nítidos objetivos populistas e eleitoreiros. Prejuízos das elétricas terminaram no Tesouro e no bolso da população.

Esta é outra grande vantagem da desestatização, para além do aporte de dinheiro ao Tesouro na venda da empresa: tira dos cofres públicos o enorme custo de ter de sustentar companhias inviáveis e resgatar outras em momentos de dificuldades, muitas vezes criadas pelos próprios governantes. E ainda permite redução de custos, logo, de tarifas.

O modelo de privatização da Eletrobras, pela venda de ações, pode muito bem ser usado para desestatizar a Petrobras, por exemplo. O campo a explorar na mais do que imperiosa redução do tamanho do Estado-empresário é extenso.

Basta considerar que recente levantamento oficial contabilizou 159 estatais federais ativas — as 220 inativas também sobrecarregam o Erário —, das quais só 89 têm orçamentos próprios de investimento. Ou seja, 70 dependem abertamente do Tesouro. A crise tem permitido que a sociedade entenda por que paga tanto imposto, e mesmo assim os déficits públicos não zeram.

Além do ganho fiscal | Míriam Leitão


- O Globo

Mudança para melhor, além do ganho fiscal. Foi o governo dizer que está pensando em sair da Eletrobras, e as ações subiram 50% num dia. Ainda que caiam um pouco para corrigir exageros, ficou claro que a avaliação geral é de que o Estado é um peso sobre a empresa. A privatização pode representar uma enorme mudança para melhor no setor de energia, e não apenas o caminho de atingir a meta fiscal.

“Temos que refletir sobre essa valorização da ação porque ela mostra como a presença do Estado aumenta a incerteza”, disse Paulo Pedrosa, secretário-executivo do Ministério das Minas Energia.

O setor está no meio de uma mudança de regulação para tentar expurgar todo o modelo desordenado e intervencionista criado pela MP 579. Não era bom antes, mas piorou bastante espalhando prejuízos e irracionalidades. Na semana passada, foi encerrada a fase de consulta pública e agora os técnicos do Ministério se dedicariam a redigir a MP do novo marco para setembro. Com a decisão de privatizar a Eletrobras, a prioridade passou a ser a MP que vai preparar a empresa para a venda. Mas o secretárioexecutivo do MME diz que a proposta do novo marco será feita e tem boa base para o trabalho:

— A qualidade do material que recebemos é excelente. Foram consultadas cinco universidades, recebemos estudos muito bons que nos permitem trabalhar.

Entre as correções a fazer no sistema está o que eles chamam de GSS. Por esse fator de escala de geração, as hidrelétricas, quando há risco hidrológico, são obrigadas a gerar menos e contratar a energia das térmicas para entregar:

— Por exemplo, se elas venderam energia a R$ 160, têm que comprar a R$ 500 para entregar e isso está destruindo a receita das hidrelétricas — explica Pedrosa.

Mas se o risco hidrológico não ficar com as geradoras, os preços da energia podem subir. Pedrosa explica que há outro caminho para que não haja impacto tarifário, que é dar mais tempo para concessão. E já existe um acordo nessa direção.

O setor de energia é um politraumatizado. Além da presença sempre grande do Estado, a intervenção da MP 579 causou fraturas múltiplas. Por outro lado, sempre foi cômodo para todas as empresas envolvidas, e caro para o Tesouro, a construção das grandes hidrelétricas feitas com subsídio embutido em empréstimos baratos e garantias dadas pelo Estado.

— O setor girou durante muito tempo com base nos subsídios altos e empréstimos muito baratos que favoreceram as hidrelétricas distantes e as linhas de transmissão que acabam tendo um preço artificial. Temos que parar de interferir e iludir a sociedade sobre o custo de certos projetos. Precisamos aumentar a eficiência do setor e não inibir a expansão das novas renováveis. Sair do modelo subsidiado para o de valorizar com realismo as fontes verdadeiramente competitivas — diz Pedrosa.

O diretor-executivo do Instituto Acende Brasil, Eduardo Müller Monteiro, compara o desempenho da Eletrobras com o da Engie Brasil, empresa originada da privatização em 1998 da Eletrosul, que era subsidiária da estatal. A Eletrobras acumulou prejuízo de R$ 27,4 bilhões entre 2012 e 2016, enquanto a Engie lucrou R$ 7,3 bi. Olhando apenas para o ano passado, a Eletrobras, com receita de R$ 60 bilhões, lucrou R$ 3,5 bi. A Engie com R$ 6 bi de receitas teve lucro R$ 1,5 bi. A Eletrobras tem 23 mil trabalhadores, a Engie opera com 1,1 mil. No final de junho, enquanto o valor de mercado da estatal era de R$ 18 bilhões, o da empresa privada chegava a R$ 22 bi:

— Em 2016, a Eletrobras gerou uma receita de R$ 2,64 milhões por empregado, enquanto a Engie gerou R$ 5,82 milhões. Em valor de mercado, a distância aumenta: R$ 780 mil por empregado (Eletrobras) contra R$ 20 milhões por empregado (Engie).

Contas assim começaram a ser feitas ontem, para calcular quanto a empresa tem a ganhar quando houver um sistema de governança que impeça a indicação de diretores por políticos, a interferência do governo, as regras limitadoras das estatais.

— Veja que mesmo com o Wilson (Ferreira) lá, o mercado ainda acha o Estado um risco. O Estado é como um leão na sala de visitas. O leão pode estar quieto, mas há sempre o risco de que ele ataque — compara Paulo Pedrosa.

O 23ᵒ Encontro do Foro de São Paulo, a morte de MAG e o domínio de Raul Castro sobre a Venezuela - Graça Salgueiro


O 23ᵒ Encontro do Foro de São Paulo, a morte de MAG e o domínio de Raul Castro sobre a Venezuela

26 de julho de 2017 - 3:16:58
“Salvar a Venezuela da opressão das oligarquias, e Lula das mãos de Sérgio Moro”, com a plena percepção de que a oposição aos crimes do Foro de São Paulo está crescendo na América Latina e mundo afora. Graça Salgueiro comenta, na mais recente edição do seu programa Observatório Latino, as pautas e discussões do 23ᵒ encontro do Foro de São Paulo, realizado em Manágua dias atrás.
A jornalista também aborda a morte de uma das mais importantes figuras na criação e consolidação do Foro de São Paulo: Marco Aurélio Garcia, o “MAG”, o grande articulador, o embaixador das sombras que falava pelo próprio Lula. E adverte a respeito do papel que a CELAC pode assumir num futuro próximo.
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O total domínio político do ditador cubano Raul Castro sobre tudo o que acontece na Venezuela, e o papel sórdido a que se prestou o presidente da Espanha para acolher em seu país os bandidos envolvidos com a ditadura venezuelana e o narcoterror, diante da pressão internacional. Confira a edição extraordinária do programa Observatório Latino.
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Graça ainda traz notícias faltantes fundamentais para a compreensão do caos totalitário e comunista ao qual a Venezuela sucumbe.
Graça Salgueiro, escritora e jornalista, é autora do livro ‘O Foro de São Paulo – A Mais Perigosa Organização Revolucionária da América Latina‘, e apresenta o programa Observatório Latino, na Rádio Vox.

Importantíssimo: Ciro Gomes NÃO É nacionalista. - Olavo de Carvalho


Importantíssimo: Ciro Gomes NÃO É nacionalista.

9 de agosto de 2017 - 11:33:40
Importantíssimo. O Ciro Gomes NÃO É nacionalista. Ele continua a personificar a velha encenação esquerdista, que usa o vocabulário do nacionalismo para promover o puro anti-americanismo e a absorção do Brasil num esquema imperialista (hoje diríamos globalista) concorrente. É um esquerdista de velho estilo, anterior à ideologia “diversitária”, o qual por isso acaba parecendo antiglobalista aos olhos de quem não conhece a História. A aliança com o Partido Comunista da China prova isso acima de qualquer possibilidade de dúvida. Nada pode ser mais falso do que um antiglobalismo pró-chinês num momento em que a China, com algum sucesso, se esforça para assumir a liderança do próprio globalismo ocidental.

Os cristãos e os conservadores estão no mundo da Lua - Olavo de Carvalho


Os cristãos e os conservadores estão no mundo da Lua

18 de agosto de 2017 - 4:37:19
Definitivamente, conservadores e cristãos, seja nos EUA, no Brasil ou na Europa, NÃO ESTÃO ENTENDENDO o que acontece no mundo. Estão sob um regime de controle total da circulação de informações, sob o império absoluto da engenharia comportamental, e acreditam que ainda vivem numa democracia plena, onde tudo se pode vencer na base da persuasão amigável. Estão no mundo da Lua.
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Tenho a impressão de que, a esta altura, já se tornou IMPOSSÍVEL informar ao povo americano o que está realmente acontecendo. A força hipnótica dos slogans e chavões já paralisou a inteligência popular, sobrepondo-se de tal maneira aos fatos, que estes jamais serão conhecidos. Já vi esse filme e sei quem morre no fim.
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Atentados islâmicos se sucedendo em toda parte, a ditadura venezuelana matando pessoas nas ruas, e o povão, intoxicado pela mídia mundial INTEIRA, preocupado com “o nazismo”. É a alucinação tomando conta do planeta.
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UMA PALAVRA do Papa poderia mudar o curso das coisas. Mas o degraçado está preocupado é com os coitadinhos dos imigrantes ilegais. Definitivamente, isso nunca foi Papa. É uma cria do George Soros e nada mais.
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A mídia mundial INTEIRA abafa o atentado em Barcelona e só fala do “nazismo” de Charlottesville. É tudo pura engenharia comportamental. Zero de informação.
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Parei COMPLETAMENTE de acreditar na grande mídia quando o presidente da Bolsa de Valores de Nova York, Richard Grasso, teve uma conversa reservada com o comandante das FARC na floresta colombiana e NENHUM jornal ou canal de TV tratou de averiguar o que eles conversaram. Isso foi em 26 de junho de 1999. Antes mesmo de que eu tomasse conhecimento do Foro de São Paulo.
P. S. – “Completamente” quer dizer “completamente”

Politicamente correto e servidão mental - Percival Puggina


Politicamente correto e servidão mental

22 de agosto de 2017 - 22:48:56
Ao unir e estruturar uma infinidade de minorias para criar e gerir conflitos, a esquerda brasileira, pilotada pelo PT, definiu esse empreendimento como essência do famigerado “politicamente correto”.
Lembro-me da primeira vez em que fui advertido de estar sendo politicamente incorreto. “Isso significa que não posso usar a palavra promiscuidade?”, perguntei receoso. “Claro que não pode!”, foi a resposta que ouvi. Desde então, ser contra essa arenga virou preceito para mim. Tornou-se evidente, ali, que o controle do vocabulário é sutil forma de dominação cultural e política. Impõe servidão mental.
O politicamente correto declara encerrados certos debates e dá por consensuais, por irrecorríveis, conceitos boa parte das vezes insustentáveis numa interlocução esclarecida e bem intencionada. Estamos vendo isso acontecer todos os dias e o fato que trago à reflexão dos leitores dá testemunho.  Encontrei-o por acaso, na internet.
Em maio passado, um delegado de polícia, que é também jornalista, comentou em grupo do whatsapp um estupro de menor (menina de 11 anos que vivia com a mãe). Referindo-se ao caso, observou que “crianças estão pagando muito caro por esse rodízio de padrastos em casa”. O delegado ocupava função de direção na área de comunicação social de sua instituição. A frase foi qualificada como machista e ele, de imediato, exonerado. Fora, politicamente incorreto! Constatara uma obviedade: as sucessivas trocas de parceiros por parte de mulheres independentes expunha as crianças a contatos de risco.
Indagado pelo Jornal Metrópole sobre se estava arrependido o delegado respondeu que não.
“Precisamos discutir responsabilidades e freios morais. As crianças não podem pagar pelas atitudes desmedidas dos adultos, sejam eles homens ou mulheres. Quem leva uma prostituta para casa está arriscando a segurança de seus filhos. Da mesma forma como alguém que levar um psicopata, um ladrão, um homicida para dentro de casa estará colocando a vida dos filhos em risco”. E mais adiante: “Precisamos ter responsabilidade para enfrentar esse tema”.
Criado o monstro é preciso alimentá-lo. E ele é nutrido por casos como esse em que o referido delegado ousou expor ideias que não devem ser expressas. Uma coisa é a dignidade da pessoa humana e o respeito a ela devido. Outra é assumir que, em vista dessa dignidade, resultem abolidos os valores que lhe são inerentes. Ou que esses valores sequer possam ser explicitados em público. E ai de quem faça alguma afirmação na qual se possa intuir fundamento religioso ou da moral correspondente!
A afirmação do policial foi irretocável, mas envolvia uma advertência sobre o exercício irresponsável dos direitos sexuais. E há, sim, uma correspondência entre direitos e deveres que, na situação genérica descrita, são os da mãe, do pai, ou do cuidador responsável por menores no âmbito do lar. Ora bolas!
Estado versus Sociedade, sequestro e extorsãoÉ verdade que a hegemonia esquerdista desgraçou-se naquela esquina do tempo em que a crise causada pela irresponsabilidade fiscal se encontrou com as revelações sobre a corrupção. Mas o projeto para a conquista da hegemonia era primoroso. Fazia parte dele o fatiamento da sociedade com a escolha de determinados grupos sociais contra os quais se lançaram todas as injúrias de modo a suscitar animosidade. Era a velha luta de classes adquirindo múltiplas formas num engenhoso caleidoscópio político.
Estão no foco dos antagonismos e execrações cultivadas ao longo das últimas três décadas:
• os conflitos “raciais” e a imediata identificação da população branca como devedora de uma conta acumulada em três séculos e vencida desde 1888;
• os conflitos de “gênero”, em que as presunções de responsabilidade recaem sobre os heterossexuais do sexo masculino que, ademais, são presumivelmente machistas;
• os conflitos de classe social, onde os ressentimentos se concentram nos andares mais altos da classe média para cima, lá onde se situam os maiores ódios de Marilena Chauí;
• os conflitos retrô do mundo do trabalho, institucionalmente patrocinados, nos quais o setor público, supostamente abnegado e generoso, vê com maus olhos o setor produtivo da economia e o “diabólico” mercado.
• os conflitos geracionais, face aos quais, quem tiver mais de 40 anos, é um opressor, inconformado com a liberdade, autonomia, ideias e estilos de vida das gerações mais jovens, devendo ser rejeitado por todos que aí se enquadrem, inclusive pelos próprios filhos.
De início foi um estratagema petista. Com o tempo, consolidaram-se os conceitos e todos os partidos de esquerda passaram a adotá-lo. A imensa maioria dos demais participantes dos mecanismos de formação da opinião pública a ele aderiram: grandes meios de comunicação, mundo acadêmico, agentes do ambiente cultural, militantes em ambientes virtuais e, até mesmo, grupos religiosos. No andar da carroça foram nascendo centenas de movimentos, ditos sociais, cuja existência tem tudo a ver, e só tem a ver, com a organização desses antagonismos, cujo plantio ocorreu diante de nossos olhos.
Ao unir e estruturar uma infinidade de minorias para criar e gerir conflitos, a esquerda brasileira, pilotada pelo PT, definiu esse empreendimento como essência do famigerado “politicamente correto”. Enquanto o cultivava, como estratégia diversionista, chegava ao poder e implementava aquilo que, desde logo, deveria ter sido compreendido como o conflito real, a ser enfrentado com total dedicação: a opressão do Estado contra todos, inclusive aqueles que a esquerda arregimentou para suas causas. De fato, o Estado brasileiro, de modo crescente, pratica contra a nação, sua vítima, os crimes de sequestro e extorsão. A cidadania nos põe, de modo irrecorrível, a mercê de um triplo garrote fiscal – federal, estadual e municipal – que não nos deixa alternativa.
Acabei de descrever o grande golpe através do qual o Estado, hegemonizado pela esquerda que se concentra nos seus quadros, subjugou e imobilizou a soberania popular. Um verdadeiro ippon no judô da política.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Sinais de recuperação se disseminam pela economia – Editorial | Valor Econômico


Nas últimas semanas, a economia colheu vários indicadores que apontaram para o início de um processo de recuperação, após quase três anos seguidos de retração. O indicador que consolidou os sinais positivos foi o IBC-Br, chamado de a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) do Banco Central, que subiu 0,5% em junho em comparação com maio, acumulando 0,25% no segundo trimestre, menos do que o 1,2% dos primeiros três meses do ano. O Monitor do PIB/FGV, da Fundação Getulio Vargas, divulgado ontem, mostrou um salto ainda maior em junho, de 2,65%, mas fechou o segundo trimestre com recuo de 0,24% em comparação com o primeiro.

O primeiro sinal animador veio da produção industrial, que cresceu 1% no primeiro trimestre e reduziu a velocidade no segundo trimestre para 0,2%, perdendo o ritmo em onze das 15 localidades pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e nos segmentos de bens de capital e bens de consumo duráveis, que vinham tendo os melhores desempenhos. A indústria extrativa segue à frente da de transformação.

Varejo e serviços tiveram maior influência na expansão do IBC-Br. As vendas no varejo restrito cresceram 2,5% no segundo trimestre, anulando a queda de 2,7% do primeiro; e aumentaram 2,9% no ampliado, superando os 2,2% dos primeiros três meses do ano, o que não ocorria desde 2014. Destacaram-se as vendas de tecidos, vestuário e calçados, móveis e eletrodomésticos e material de construção.

Já o faturamento do setor de serviços aumentou 0,3% no segundo trimestre, compensando o recuo de igual intensidade no primeiro, impulsionado pelas operações de transporte, correios e serviços e pelo transporte terrestre da safra agrícola. A avaliação é que o setor de serviços deve estar se estabilizando antes do esperado. De todas as atividades, a de serviços é geralmente a última a ser afetada por uma crise, mas é também a última a sair dela. Especialistas acreditam que esse avanço seria resultado da queda da inflação, aumento da renda real e mesmo alguma melhora nas estatísticas de emprego no país.

Os diversos segmentos da atividade econômica andam em velocidades diferentes e os indicadores ainda podem mostrar divergências, mas já é possível constatar uma onda de revisão de expectativas para o PIB deste ano nas consultorias e instituições financeiras, que deixaram para trás números negativos e agora trabalham com previsões que variam de estabilidade para ligeiramente positivo.

Posta em dúvida até há algum tempo, a tendência de recuperação da economia agora é dada como certa. Ninguém espera, porém, uma arrancada. Um dos motivos é que alguns dos fatores que impulsionaram a reação não vão se repetir ou vão perder a intensidade. É o caso do impacto da liberação das contas inativas do FGTS, que injetaram cerca de R$ 44 bilhões na economia, e a safra agrícola recorde. Há quem interprete a perda de dinamismo da indústria no segundo trimestre como consequência desses fatores, embora o setor venha sendo impulsionado também pelo aumento da exportação de alguns manufaturados, notadamente de veículos. A retomada do consumo das famílias, favorecida pela redução da taxa de juros e aumento da população ocupada, mesmo que na informalidade, pode, também, incentivar a indústria, além das vendas no varejo.

Outro motivo para a cautela com as previsões é que as perdas acumuladas na produção industrial, no consumo, no emprego, na renda real e no faturamento das empresas foram profundas e o ambiente macroeconômico ainda é pouco favorável ao crescimento, em função do desemprego elevado, dos juros ainda altos em comparação com os níveis de inflação, do crédito escasso e muito caro, da dificuldade da retomada dos investimentos em infraestrutura frente à contração do investimento público e da dificuldade para a aprovação das reformas econômicas.

O diagnóstico mais generalizado é que o consumo das famílias deve puxar o crescimento do PIB neste ano. A melhora das condições financeiras por causa da queda da inflação, da redução dos juros do crédito e do saque do FGTS, e o pequeno aumento da população ocupada, ainda que no mercado informal, estimulam as famílias a voltar às compras. O Banco Central já vê sinais de retomada do crédito em praticamente todas as modalidades, com o aumento das concessões e a queda da inadimplência (Valor 21/8). As revisões não são drásticas, mas já é possível dizer que o pior ficou para trás.